Coco Chanel foi uma das primeiras estilistas a
quebrar o esquema da Alta Costura e investir no estilo pobre (SVENDSEN, 2010,
p. 51). Até então, haviam outros que se mesclavam com a arte de vanguarda, como
Poiret. De origem humilde, morou em orfanato e, mais tarde, trabalhava como
costureira.
Visionária e inteligente, percebe que a moda da
época já não dizia mais nada sobre seu tempo. Após um romance com um
aristocrata, onde ela era constantemente humilhada por ser de origem humilde,
decide que é hora de certas identidades serem recusadas.
A estilista, já entre 1912 e 1936, elimina o
corpete que deformava, encurta as roupas, corta os cabelos curtos, que eram
considerados feios por lembrarem os das trabalhadoras da indústria têxtil. O
bronzeado, considerado como uma característica de trabalhadores braçais, era
aviltante.
Ela traz estes elementos à moda e também é ela quem
aparece bronzeada, com jóias falsas e cabelos curtos, iniciando a disseminação.
Ela baseou suas criações na
indumentária masculina, não feminina e nem de outras épocas e lugares. Chanel
representava a linha funcionalista do modernismo. (SVENDSEN, 2010, p. 109).
Chanel quebra algumas identidades aristocraticas e burguesas. O
valor dado ao trabalho, daqueles que comandam a produção, não poderia ser
confundido com o trabalho de quem produz. Apesar do esporte ser uma prática
estimulada contra a degenerência da sociedade, no fim do século XIX, ninguém poderia
parecer que esteve ao sol. Ela confundiu os códigos. Embaralhou as cartas e as
jogou de volta.
As mulheres de calças, que Chanel lançou, estavam
lado a lado com os movimentos das suffragettes, pelo direito ao voto. Em 1935
elas estavam exigindo sua participação no espaço público. A calça reforçava a
recusa da identidade feminina burguesa.
As jóias falsas eram ruídos na comunicação. A aparição de uma mulher com pérolas acreditava-se que aquelas jóias eram verdadeiras. Não passava pela cabeça das
pessoas na época em falsificar jóias para parecerem ricas. A não ser que
estivessem falindo e ainda querendo manter a pose. Mas uma jovem de classe
média baixa, trabalhadora, não sairia com um colar de pérolas, pois jamais
poderia pagar por um.
Chanel tira as pérolas falsas e populariza. Um dos
elementos de competição de classes
é retirado. As jóias verdadeiras eram uma forma de estabelecer cercas, manter a
diferenciação movida pela diferença de classes. A identidade das mulheres das
classes dominantes estava assegurada pela posse e exibição de tais jóias.
Quando você passa a encontrar pessoas que estão bem vestidas e com jóias que
você não sabe se são verdadeiras ou não, o código perdeu-se.































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